Diferenças, opiniões e estilos a parte a palestra deixou bem claro que é necessário um esforço coletivo para o fortalecimento do Samba
A palestra que inicialmente seria uma exposição de cada profissional presente sobre qual era sua vertente no cenário do samba ,mais a conversa tomou proporções gigantes e valiosas. Presentes na mesa os professores de dança Carlos Bolacha (RJ), Patrick Carvalho (RJ), Paulinho (SP), Alex Lima (Paris), Vinicius (RJ) e Inácio Loiola, mais conhecido como Moskito e Flávio Miguel (produtor cultural – RJ) expuseram suas opiniões..
Tomando a Salsa como exemplo, a urgência em regulamentar e trabalhar melhor o Samba, além academias de dança, foi um dos assuntos que mais geraram discussão. Questões como a ausência de uma cartilha com elementos básicos para o professor ministrar uma aula de dança com uniformidade foram amplamente discutidos.
“Na França, quando falamos em Samba as pessoas automaticamente ligam o ritmo a nudez, carnaval. Para conseguir explicar que existe uma dança a dois com samba é preciso trabalhar sob a figura Samba de Gafieira. Assim como o Zouk que apelidamos de Zouk brasileiro ou Lambazouk.”, comentou Alex Carvalho.
Falando sobre Pagode, Samba Rock, Samba no Pé e Gafieira platéia e palestrantes discutiram a negatividade da divisão e separação de público. “Porque não pode todo mundo ir para o Samba? É um ritmo tão rico. Podemos dançar vários estilos no mesmo local. A vibe é essa!”, enfatizou o professor Paulinho.
Em comum acordo, palestrantes e ouvintes presentes, chegaram a conclusão que é fundamental a criação de uma CONVENÇÃO do Samba que regulamente *** e de ênfase na exigência do profissional – professor de dança – trabalhar além de passos, o conceito cultural que há em torno do samba.
“O Samba precisa se organizar em cada estado e para ter força em âmbito nacional. Desta palestra surgiram novos temas para futuros debates. Falamos das principais vertentes de dança do Samba - pagode, Samba-rock, Samba nó pé e Samba gafieira. Apesar do Samba de Salão ser o nome mais adequado para se referir ao samba gafieira, todos os presentes tiveram o consenso que somente "Samba", deve ser o termo para designar as vertentes do Samba, fator que vai auxiliar a difundir todos os gêneros, pois atualmente o Samba no pé e o carnaval são as representações do Samba no Brasil e exterior.”, comentou o mediador Moskito.
Alexandre Melo presente na platéia, citou a falta de união dos profissionais. O produtor Flávio Miguel ressaltou a necessidade organização e definição de cada agente, “dançarino tem que executar o show, o resto é com a produção”, ressalta.
Gracinha Araújo, coordenadora do curso de pós-graduação Dança de Salão da Faculdade Metropolitana de Curitiba (FAMEC), ressaltou a falta de critérios e regulamentação da Dança no Brasil.
Um fato exposto pelo mediador, Moskito, relatou uma iniciativa semelhante. Em 2001 grandes nomes da dança se reuniram para discutir este tema.*** Na ocasião foi lavrado um documento o “Syllabus” com intenção de introduzir o samba como dança internacional.Apesar de muitas pessoas seguirem este documento, boa parte dos profissionais que estavam ali presentes não concorda com o seu conteúdo, até mesmo Carlinhos de Jesus em uma entrevista veiculada na rede youtube disse que não usa e que os profissionais e que são os maiores culpados por isto que falta união. A federação que abrigava este documento fechou.
A palestra/debate deixou a sensação de que é urgente o Samba se organizar. Padronização deve surgir para manter as raízes e não para inibir novos estilos ou tendências. È a preservação da história que esta em jogo. Dançarinos, professores e alunos devem estar a serviço da dança. Essa é a idéia.
Ficou claro que o problema não está somente no Samba, a dança em geral carece de regulamentação e parâmetros, pois muitos não tem preparo para atuarem no mercado.
O dançarino e professor Carlos Bolacha encerrou a palestra enfatizando que “a dança (profissionais, produtores, público) devem estar a serviço da dança.”
Por Thiago Castilha
Jornalista e produtor cultural

